Meu Cafofo —De classificado a plataforma de coliving
Redesenho completo de um marketplace de moradia estudantil — do classificado no ar para uma plataforma com verificação de perfil, agendamento de visita e a vida da casa depois do match. A pesquisa com estudantes de Ouro Preto derrubou a hipótese inicial e reescreveu o produto.
0 de 11 chegaram por plataformaO Meu Cafofo no ar é um classificado: foto, preço, cidade e dez páginas de lista. Sem filtro, sem mapa, sem saber quem mora na casa — e com anúncios publicados sob o cartão “Foto não cadastrada”.
Conduzi a pesquisa que levantou os requisitos e liderei o redesenho do produto inteiro — marketplace, gestão da casa e rede entre moradores —, com o Design System e a especificação que os cinco clientes consomem.
Em implementação: fases 1 e 2 do MVP integradas ponta a ponta contra a API real; marketplace novo em construção.
A hipótese era que faltava um canal de contato. A pesquisa mostrou o contrário: ninguém tinha dificuldade de falar com a casa — tinha dificuldade de saber com quem estava falando.
Morar em república é a primeira decisão adulta de muita gente — feita de longe, com pressa e sem informação. O Meu Cafofo existia como classificado e crescia pelo volume de anúncios, não pela qualidade do encontro. A proposta foi inverter isso: pesquisar com quem realmente procura, e reconstruir o produto em torno do que faz alguém dizer sim a uma casa.
Um classificado que pede fé
Alugar um quarto é decidir com quem você vai acordar todo dia. O produto no ar pedia essa decisão com uma foto e um preço: busca por texto livre, sem filtro e sem mapa, títulos cortados no meio da palavra, anúncios sem foto e uma paginação de 1 a 10 que entrega volume no lugar de recorte. Entre “gostei” e “falar com alguém” não havia caminho nenhum.

O problema não era o que parecia
Onze respondentes, dez com respostas abertas válidas — amostra pequena e exploratória, e o case diz isso em vez de inflar o número. Nenhum deles encontrou a casa por plataforma: seis por rede social, três por indicação, dois por acaso na fila da matrícula. E dez de onze responderam que não tiveram dificuldade nenhuma para falar com a casa. A hipótese óbvia morreu na primeira rodada: a dor está antes do contato, em descobrir que a casa existe e conseguir comparar.
A escolha é sobre pessoas, não sobre imóvel
Perguntados sobre o que os levou a escolher a casa, o tema dominante não foi preço — preço apareceu sozinho em uma única resposta. Foi quem mora lá: “a forma como as moradoras veteranas conversaram comigo me deu segurança, pois eu priorizava um lugar em que não me sentisse sozinha, por estar longe da família”. E a dor tem dois lados: “como veterana, seria maravilhoso pra república, uma vez que está cada vez mais difícil encontrar calouras”.
De anúncio para apresentação
Os respondentes descreveram o produto sozinhos: ver todas as opções em um lugar só, saber quais casas têm vaga, conversar com as moradoras e “marcar um dia pra visitar a casa com um horário pré-estabelecido na própria plataforma”. Foi exatamente isso que o redesenho entregou — verificação de perfil com selo e fila de moderação, o card mostrando os moradores e a vaga restante, e o agendamento com calendário e mensagem de apresentação. Um anúncio pede atenção; uma apresentação pede resposta.

O match é o começo, não o fim
O que o portfólio normalmente não mostra é o que vem depois de entrar na casa. O Meu Cafofo são três produtos no mesmo app: o marketplace (buscar, visitar, se candidatar, anunciar), a gestão da casa (carteira, contas fixas, dívidas, acerto entre moradores) e a rede entre moradores (mural, chat da casa, tarefas, agenda, alertas). Junto vieram as regras difíceis de morar junto: convite e ocupação de quarto, sucessão quando o anfitrião sai, arquivamento da casa e o que acontece com quem saiu devendo.
Errar cedo, com protótipo de IA
Antes de comprometer engenharia, o fluxo virou protótipo navegável gerado com IA e foi a teste com gente real, sobre um plano de usabilidade com objetivos, cenários, tarefas e métricas definidos antes de rodar. O tom de voz foi escrito junto e aplicado tela a tela. Protótipo de IA não é atalho de design — é jeito de errar mais cedo e mais barato.

Confiança como estrutura, não como copy
O sinal de confiança deixou de ser promessa de texto e virou parte do sistema: verificação de perfil com fila de moderação, moradores com rosto e selo no anúncio, vaga restante explícita e visita agendada dentro do produto. Quem procura sabe com quem vai falar antes de marcar; quem anuncia recebe uma apresentação, não uma mensagem solta.
- A hipótese mais confortável costuma ser a primeira a cair: era contato, e era confiança.
- Amostra pequena não invalida pesquisa — invalida certeza. Onze pessoas bastaram para mudar a direção do produto.
- Num marketplace de moradia, o inventário não é o imóvel: são as pessoas que já moram nele.