Produto & Negócio

Cinema —Da compra fragmentada ao ingresso nativo

Evolução do módulo de entretenimento de um superapp: de um modelo só de vouchers para a compra de ingresso nativa, com escolha de poltrona no mapa da sala — sem perder os cinemas parceiros que não têm integração com bilheteria digital.

2026Product Designer+40% de receita na vertical
+40% de receita na vertical
Contexto

A vertical de cinema de um superapp vendia só voucher. O modelo funciona em condição ideal, mas tirava o usuário do app para trocar no site do parceiro ou na fila da bilheteria — e a confirmação da vaga acontecia fora da nossa vista.

Meu papel

Responsável pelo estudo, pela arquitetura de informação, pelos fluxos de experiência e pelo design system da vertical.

Estágio

Em produção e sob observação: com Marketing, estruturando um estudo comportamental sobre a convivência dos dois modelos.

Ano2026
ClienteSuperapp · Vertical de entretenimento
FerramentasFigma · Voyager (Design System)
Arquitetura de informaçãoCheckoutImpacto de negócio
O desafio

Como eliminar o atrito e reter a transação dentro do superapp e, ao mesmo tempo, acomodar parceiros sem integração tecnológica com as grandes bilheteiras — fazendo os dois modelos conviverem sem confundir quem compra?

Vender ingresso de cinema dentro de um superapp parece um problema de catálogo, e é um problema de garantia. O usuário não compra um filme: compra a certeza de que vai entrar na sala, naquele horário, naquela poltrona. O modelo só de voucher entregava a intenção e deixava a garantia para depois — num site de terceiro ou numa fila. A proposta foi trazer a transação inteira para dentro do ecossistema, sem descartar os parceiros que não têm como se integrar.

O problema

O voucher quebrava em três pontos

Faltava atomicidade: a reserva não se completava no app, e o usuário saía para o site do parceiro ou para a bilheteria. Faltava visibilidade: como a vaga era confirmada fora do nosso alcance, era comum chegar à sessão e descobrir que tinha esgotado — e isso virava ticket de suporte. E faltava proteção financeira: voucher perto do vencimento que não passava na bilheteria exigia emissão manual de código novo pelo suporte, e como o contrato com o parceiro não cobria validade expirada, o prejuízo ficava com a empresa.

A oportunidade

A jornada que não sai do app

O estudo de mercado levou a parcerias diretas para a venda nativa. A jornada passou a ser inteira dentro do produto: escolher a sessão, escolher a poltrona no mapa interativo da sala e garantir a entrada na hora. A garantia deixou de ser uma promessa para o futuro e virou o próprio ato da compra.

A jornada que não sai do app
O dilema

Por que o voucher não podia morrer

Cinemas de grande porte fora dos grandes centros e redes menores não têm integração com bilheteria digital. Matar o voucher seria encolher o catálogo justamente onde ele era diferencial. A decisão foi fazer os dois modelos conviverem — e aí o trabalho deixou de ser de fluxo e virou de taxonomia: o usuário precisa saber exatamente o que está comprando, no momento em que compra, e não no momento em que usa.

Craft

Três toques para separar dois mundos

Na seleção de sessão, badges e hierarquia tipográfica dizem se aquela compra permite escolher assento ou se é um voucher a resgatar. No checkout, transparência radical nos termos: o ingresso nativo reforça o QR code direto para a catraca, o voucher explica o passo a passo da validação prévia. E o comprovante — o ponto de maior atenção — se divide: o nativo destaca o mapa de assentos e a leitura óptica; o voucher traz o código legível, o link de resgate quando existe e a data limite em evidência, para que ninguém perca o ingresso por desatenção.

Três toques para separar dois mundos
Depois do lançamento

O efeito costume

Produto vivo não termina no lançamento. O acompanhamento mostrou um efeito que a própria fluidez criou: quem se acostumou ao ingresso nativo estranha o voucher quando cai num parceiro regional. A fluidez virou expectativa, e a exceção passou a parecer erro. A fase seguinte, com Marketing, é um estudo comportamental e iniciativas de product education para suavizar essa transição e reduzir risco de churn nessa base.

A solução

A diferença aparece na compra, não na catraca

A venda nativa trouxe a transação inteira para dentro do superapp, e a taxonomia nos três toques fez os dois modelos conviverem sem que um fosse confundido com o outro. O usuário escolhe a poltrona e entra com o QR code; quando o parceiro não tem integração, ele sabe disso antes de pagar — e o comprovante diz, em primeiro plano, até quando o código vale.

Impacto
+40%de receita na vertical de cinema
1 em 15vendas abriam ticket de suporte — antes
0saídas do app para concluir a compra
Aprendizados
  • Quando dois modelos convivem, não basta avisar: é preciso taxonomia — visual e comportamental — desde o card até o comprovante.
  • O comprovante é onde a promessa da compra é cobrada. Foi a tela que mais exigiu cuidado, e a que mais reduziu suporte.
  • Fluidez cria expectativa: facilitar o caminho principal faz a exceção parecer defeito, e isso vira trabalho de product education.